Fluente em árabe, persa, urdu e um pouco de turco, o jornalista e crítico independente Juan Cole, também respeitado acadêmico americano, apresenta uma perspectiva dissidente sobre a crise nuclear no Oriente Médio e a política estadunidense. O autor é ainda professor universitário especializado na história das relações do Ocidente com o mundo islâmico, tendo morado vários anos em países muçulmanos.
Os maiores mitos sobre o programa iraniano de enriquecimento nuclear
1. O programa civil iraniano de enriquecimento nuclear é acusado pelo primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu de ser um programa encoberto de armas nucleares. Mas não há nenhuma evidência para esta alegação, a qual foi contradita pelo próprio Ministro da Defesa de Netanyahu, Ehud Barak, que admitiu que o Irã não decidiu iniciar um programa de armas nucleares. O Chefe do Estado-Maior de Israel, Benny Gantz, também admitiu que o Irã não decidiu construir uma bomba .
2. Costuma-se argumentar que o Irã não precisa de energia nuclear. Mas o país usa uma certa quantidade de petróleo para a geração de energia, e os iranianos estão produzindo mais e mais. São boas as perspectivas de que o que aconteceu com a Indonésia, que agora usa todo o seu petróleo próprio, além de importar um pouco, vai acontecer com o Irã. As exportações iranianas de energia fornecem uma segurança financeira fundamental, permitindo ao país manter-se independente. Outras gigantes do petróleo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, também estão construindo usinas nucleares. Não há nada de ilógico ou incomum sobre o Irã caminhar nessa direção.
3. Alega-se que o Irã ameaçou aniquilar Israel. Não aconteceu tal coisa. O Irã tem uma política de “não atacar primeiro”, repetidamente enunciada pelo líder supremo, Ali Khamenei. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, expressou a esperança de que o “regime sionista em Jerusalém” deveria ser “riscado das páginas da História”. Mas ele não ameaçou mobilizar tanques ou mísseis contra Israel, e comparou as suas esperanças sobre o colapso do sionismo ao colapso do comunismo na Rússia. O Irã não lançou uma guerra de agressão convencional contra outro Estado em toda a história moderna. Israel agressivamente invadiu o Egito em 1956 e 1967, e o Líbano em 1982 e 2006. A lista de guerras de agressão iniciadas pelos os EUA, incluindo a invasão e ocupação do Iraque em 2003, é muito longa para se entrar em detalhes. Então, por que o Irã está sendo caracterizado como o agressor?
4. O Líder Supremo Ali Khamenei deu uma decisão formal, ou fatwa, contra as armas nucleares, dizendo:
“A nação iraniana nunca procurou perseguir e nunca vai buscar armas nucleares. Não há dúvida de que os tomadores de decisão nos países opositores a nós, sabem muito bem que o Irã não está atrás de armas nucleares, porque a República Islâmica, logicamente, por razões religiosas e teóricas, considera a posse de armas nucleares um pecado grave e acredita que a proliferação dessas armas é insensata, destrutiva e perigosa. “
5. Alguns alegaram que Khamenei estava mentindo em sua fatwa, de acordo com uma doutrina xiita que permite a dissimulação religiosa. A permissão para mentir sobre a religião não se aplica quando há um Estado xiita capaz de proteger os xiitas.
6. Não, a Agência Internacional de Energia Atômica, ao inspecionar o Irã, não apontou evidências de fabricação de bombas. Ela certificou que nenhum urânio foi desviado para um programa de armas.
7. Costuma-se argumentar que o programa nuclear do Irã pode estimular uma corrida armamentista no Oriente Médio. Mas é o arsenal de Israel, com 400 ogivas nucleares, que estimulou as corridas armamentistas. Experimentos iraquianos com enriquecimento, no final de 1980 até 1991, foram um resultado direto dos informes de que a Israel foi dada a bomba pela França, Grã-Bretanha e os EUA. Se um Irã não-nuclear é tão importante, por que Israel não respondeu aos reiterados pedidos, feitos por países do Oriente Médio, de criação de uma zona livre de armas nucleares, na região?
8. O Irã realmente reduziu o seu estoque de urânio pouco enriquecido a 19,75%, transformando-o em placas para alimentar seu reator médico (que é o que o Irã tem dito o tempo todo sobre o que estava fazendo com o urânio). O Irã perdeu sua fonte de combustível de urânio para o reator médico quando a Argentina deixou de produzi-lo e fornecê-lo (note que não foram aplicadas sanções sobre a Argentina ou ameaçaram bombardeá-la quando a mesma enriqueceu urânio neste nível).
9. Netanyahu está implicitamente argumentando que as atividades do Irã são a fonte dos problemas na região. Mas sua insistência em manter milhões de palestinos sem pátria e sem direitos humanos básicos ou direitos de propriedade, e a sub-reptícia anexação da parte árabe de Jerusalém, terceira localidade mais sagrada segundo o Islã, é o que inspira o ódio do mundo muçulmano não só contra Israel, mas contra os Estados Unidos. Fundamentalistas linha-dura são tão fáceis de convencer acerca de malévolas intenções americanas sobre o Islã, justamente porque os Estados Unidos têm cooperado em ferrar com os palestinos e na israelização de toda a Jerusalém. De modo que a imprensa dos EUA deixou Netanyahu aparecer na televisão americana e não responder a perguntas sobre a colonização israelense ilegal de terras palestinas, continuando a privar os palestinos de um Estado. Isso é um atestado de como os meios de comunicação de massa no EUA abdicaram da sua responsabilidade de informar o público americano.
FONTE: JuanCole.com
Leia também:
Estadunidenses dizem NÃO à mídia sionista
Estadunidenses dizem NÃO à guerra sionista
Notando o poderoso lobby judaico
vejam este video de um lider islâmico que mostra poque Israel e o Sionismo querem dominar o mundo e diz:
A guerra contra o Iran é um ato covarde e criminoso!
http://www.youtube.com/watch?v=856KWnRGVGE&feature=player_embedded
Excelente pronunciamento do líder islâmico. Recomendo!
Se o Irã quisesse construir armas nucleares, teria que expulsar os inspetores da AIEA, o que não o fez, logo, todas as notícias sobre o país são falsas e uma cortina de fumaça para as ações dos sionistas em Israel.
As comodistas vistas grossas que os governos mundiais delegam às situações impetradas pelo poder sionista precisam urgentemente ter um fim.
Grassam pela mídia todos os dias dezenas de informes distorcidos como esses expostos aqui e a massa igoara (uns 70% do povo) ‘bota pra dentro da cachola oca’ sem questionar.
Muito bom existir o Inacreditável e vários outros sítios e blogs (humildemente, incluo o meu) para cutucar, chacoalhar e dar opções de se ver coisas por prismas mais transparentes.
Sigamos assim: resistir sem desistir!
Enqanto tiver essa politica mundial de “I$rahell pode tudo”,vamos ter esse tipo de incomodo global,depois do Irã,qual vai ser a próxima ameaça a democracia?é só a gente pequisar quais paises são ricos em recursos naturais e que não estão em poder dos judeus….
O que se depreende de todo o contexto é que o Irã, justamente, será atacado por não possuir armas nucleares. Acaso tivesse, pensariam muito bem na hipótese de atacar. A única arma que o Irã dispõe, que incomoda muito ISRAELIXO, é o revisionismo histórico do holocausto. Também está bem evidenciado o papel que a mídia de massa possui ao defender os interesses do sionismo através da manipulação da opinião pública mundial. Então, o que se faz contra a mídia, um dos pilares de sustentação destes pilantras?
Para mim, a guerra contra o Irã é só uma questão de tempo. Notemos que os “argumentos” usados por EUA-Israel contra o Irão parecem-se muito àqueles que foram usados contra o Iraque. Posso vaticinar que, até o fim deste ano, esse conflito há de começar.
Se o Irã for atacado, Rússia e China vão se envolver, o que, enfim, dará início à 3ª Guerra Mundial.