Fluente em árabe, persa, urdu e um pouco de turco, o jornalista e crítico independente Juan Cole, também respeitado acadêmico americano, apresenta uma perspectiva dissidente sobre a crise nuclear no Oriente Médio e a política estadunidense. O autor é ainda professor universitário especializado na história das relações do Ocidente com o mundo islâmico, tendo morado vários anos em países muçulmanos.
Este artigo é de 2012 e publicamos para deixar registrado os acontecimentos anteriores à insana guerra desencadeada pela marionete de Sião, Donald Trump, a 28 de fevereiro de 2026 – NR.
Os maiores mitos sobre o programa iraniano de enriquecimento nuclear
1. O programa civil iraniano de enriquecimento nuclear é acusado pelo primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu de ser um programa encoberto de armas nucleares. Mas não há nenhuma evidência para esta alegação, a qual foi contradita pelo próprio Ministro da Defesa de Netanyahu, Ehud Barak, que admitiu que o Irã não decidiu iniciar um programa de armas nucleares. O Chefe do Estado-Maior de Israel, Benny Gantz, também admitiu que o Irã não decidiu construir uma bomba .
2. Costuma-se argumentar que o Irã não precisa de energia nuclear. Mas o país usa uma certa quantidade de petróleo para a geração de energia, e os iranianos estão produzindo mais e mais. São boas as perspectivas de que o que aconteceu com a Indonésia, que agora usa todo o seu petróleo próprio, além de importar um pouco, vai acontecer com o Irã. As exportações iranianas de energia fornecem uma segurança financeira fundamental, permitindo ao país manter-se independente. Outras gigantes do petróleo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, também estão construindo usinas nucleares. Não há nada de ilógico ou incomum sobre o Irã caminhar nessa direção.
3. Alega-se que o Irã ameaçou aniquilar Israel. Não aconteceu tal coisa. O Irã tem uma política de “não atacar primeiro”, repetidamente enunciada pelo líder supremo, Ali Khamenei. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, expressou a esperança de que o “regime sionista em Jerusalém” deveria ser “riscado das páginas da História”. Mas ele não ameaçou mobilizar tanques ou mísseis contra Israel, e comparou as suas esperanças sobre o colapso do sionismo ao colapso do comunismo na Rússia. O Irã não lançou uma guerra de agressão convencional contra outro Estado em toda a história moderna. Israel agressivamente invadiu o Egito em 1956 e 1967, e o Líbano em 1982 e 2006. A lista de guerras de agressão iniciadas pelos os EUA, incluindo a invasão e ocupação do Iraque em 2003, é muito longa para se entrar em detalhes. Então, por que o Irã está sendo caracterizado como o agressor?
4. O Líder Supremo Ali Khamenei deu uma decisão formal, ou fatwa, contra as armas nucleares, dizendo:
“A nação iraniana nunca procurou perseguir e nunca vai buscar armas nucleares. Não há dúvida de que os tomadores de decisão nos países opositores a nós, sabem muito bem que o Irã não está atrás de armas nucleares, porque a República Islâmica, logicamente, por razões religiosas e teóricas, considera a posse de armas nucleares um pecado grave e acredita que a proliferação dessas armas é insensata, destrutiva e perigosa. “
5. Alguns alegaram que Khamenei estava mentindo em sua fatwa, de acordo com uma doutrina xiita que permite a dissimulação religiosa. A permissão para mentir sobre a religião não se aplica quando há um Estado xiita capaz de proteger os xiitas.
6. Não, a Agência Internacional de Energia Atômica, ao inspecionar o Irã, não apontou evidências de fabricação de bombas. Ela certificou que nenhum urânio foi desviado para um programa de armas.
7. Costuma-se argumentar que o programa nuclear do Irã pode estimular uma corrida armamentista no Oriente Médio. Mas é o arsenal de Israel, com 400 ogivas nucleares, que estimulou as corridas armamentistas. Experimentos iraquianos com enriquecimento, no final de 1980 até 1991, foram um resultado direto dos informes de que a Israel foi dada a bomba pela França, Grã-Bretanha e os EUA. Se um Irã não-nuclear é tão importante, por que Israel não respondeu aos reiterados pedidos, feitos por países do Oriente Médio, de criação de uma zona livre de armas nucleares, na região?
8. O Irã realmente reduziu o seu estoque de urânio pouco enriquecido a 19,75%, transformando-o em placas para alimentar seu reator médico (que é o que o Irã tem dito o tempo todo sobre o que estava fazendo com o urânio). O Irã perdeu sua fonte de combustível de urânio para o reator médico quando a Argentina deixou de produzi-lo e fornecê-lo (note que não foram aplicadas sanções sobre a Argentina ou ameaçaram bombardeá-la quando a mesma enriqueceu urânio neste nível).
9. Netanyahu está implicitamente argumentando que as atividades do Irã são a fonte dos problemas na região. Mas sua insistência em manter milhões de palestinos sem pátria e sem direitos humanos básicos ou direitos de propriedade, e a sub-reptícia anexação da parte árabe de Jerusalém, terceira localidade mais sagrada segundo o Islã, é o que inspira o ódio do mundo muçulmano não só contra Israel, mas contra os Estados Unidos. Fundamentalistas linha-dura são tão fáceis de convencer acerca de malévolas intenções americanas sobre o Islã, justamente porque os Estados Unidos têm cooperado em ferrar com os palestinos e na israelização de toda a Jerusalém. De modo que a imprensa dos EUA deixou Netanyahu aparecer na televisão americana e não responder a perguntas sobre a colonização israelense ilegal de terras palestinas, continuando a privar os palestinos de um Estado. Isso é um atestado de como os meios de comunicação de massa no EUA abdicaram da sua responsabilidade de informar o público americano.
FONTE: JuanCole.com
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vejam este video de um lider islâmico que mostra poque Israel e o Sionismo querem dominar o mundo e diz:
A guerra contra o Iran é um ato covarde e criminoso!
http://www.youtube.com/watch?v=856KWnRGVGE&feature=player_embedded